quarta-feira, 21 de abril de 2010

Game Over


Chuva e vento por detrás do vidro molhado,
pensamento dissolvido por dentro das minhas memórias felizes,
chuva líquida e pensamento espesso,
ambos arrastam-se ao querer do vento
pela mesma percepção escorrida
de pequenos universos finitos.

Os nunca mais são tão maiores que os para sempre.

A parte de nós que aspira a um Olimpo privado
nunca se resignará a qualquer impossibilidade
criada por outrem, jamais.

No espaço paralelo criado por nós neste mesmo tempo
interior, Nós ainda permanecemos como apenas um ser
completo composto por duas metades imperfeitas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O lençol que cobre o corpo irrequieto

Analisando sem conseguir apenas sentir,
desconstruo a alma do ser em apenas coisas palpáveis
tudo acontece por uma razão lógica de troca justa,
tento entender qual a cola que junta todas estas coisas
o que compõe e motiva a própria existência dela,
a relação entre a gratificação e o reconhecimento,
a génese deste comportamento permanece incógnita.

Quanto mais penso, analiso e desconstruo as coisas
mais longe se encontra o meu pensamento do meu corpo.

Resta-me apenas a Arte para melhor me entender.

domingo, 11 de abril de 2010

A origem da minha mais secreta paixão




Weightless falls
Honeysuckle
Strangers - strange this
Lights from pages
Paper thin thing

Protected by the naked eye
Pearly sunrise

Nearly worn
Kneeling like a supplicant
Darkened skin
Afraid to see
Radiate
Open lips
Keep smiling for me
Darkened skin
Afraid to see
Radiate
Open lips
Keep smiling for me

Weightless cool
Honeysuckle
Fair skin - freckles
Uncut teeth
Tranquill eyes
Bite my lips - bite my lips
Under your feet

sexta-feira, 2 de abril de 2010



Leve


Espero por mim.

Com uma faca bem afiada na mão direita
e um livro por escrever na outra,
com visão fotográfica objectiva em riste,
guardo as imagens oferecidas à minha frente,
câmera céptica de película orgânica sensível.

Ele esconde-se sempre dentro de um de nós,
já o tinha encontrado em duas pessoas distintas,
semelhantes apenas na sua única e secreta manifestação
deturpada de horror.

-Não te preocupes, eu vou sempre proteger a tua beleza
imaculada de ninfa, com pele frágil de neve, volátil de vontade,
minha testemunha espiritual.
O doce aroma emanado pelo teu corpo é o ar que nutre todo
o bem e mal adormecido no berço do meu corpo.
Respiro-o e amo-o tanto quanto o odeio,
como um príncipe de umas tenebrosas trevas, vindo em conquista
pelos meus mais elevados ideais megalomaníacos.
Enquanto o teu ar for o meu, serei para sempre senhor e mestre
de todos os meros mortais satélites a esta nossa simbiose.

A tua beleza e a minha malvadez, as tuas tentações que favorece
tanto o meu medo como a minha coragem.
O teu medo, a minha coragem.

O meu medo, a nossa coragem.

A tua força inebriante que atrai os meus assassinos.


O coachar esquizofrénico dos anfíbios acalma o fervor
das minhas incertezas, partilhamos a mesma aflição,
oiço e sinto a calma proveniente de uma resignação
por um objecto há muitas gerações esquecido.

Deito-me na cama feita de lençóis de todas as coisas
e adormeço sozinho, espero e durmo pela manhã seguinte
que se aproxima cada vez mais sofregamente envolta
numa estranha leveza.