O ar respirado, ele não é meu, respiro-o e não me pertence,
ar respirado cheio de tudo, enche-me os pulmões e passa,
através deles para todos os meus restantes orgãos,
para o que resta do meu corpo, até ficar também cheio.
Este ar que não é meu, e está cheio de tudo o que
não se diz e o que não se percebe, porque não é falado,
ninguêm se atreve a falar numa lingua que não compreende,
que a conhece no mais intimo, mas não compreende.
As memórias jovens da infância, quanto mais lembradas, mais vivas
e verdes, como acontecimentos que tivessem a ocorrer
pela germinada primeira vez, numa realidade de instantes,
passados que são novamente o presente e flutuam,
flutuam à minha frente sob este ar alheio que respiro.